O Outro Lado da História

Meu mundo com a Dança, mas sem ela!

cortina2

            À primeira vista para ex-bailarinos cansados e contundidos, parece ser a realização de seus sonhos… às avessas! (Na verdade, sou mais do tipo Assistente PESSOAL do que Técnica, porque de técnica pura eu não entendo nada!)

Sem tensões ou cobranças excessivas, seu chefe é literalmente um AMOR e você nem sofre com ensaios e estréia de espetáculos!

marlon montagem cia ourinhos paulinho da viola festival de musica 2009

Não tinha como dar errado, eu trabalhava para o meu namorado Iluminador (Light Design), ia com ele para todos os lugares, em um emprego, digamos, meio(?) que dentro da minha área de formação (relacionada à Arte) e com uma coisa na qual eu era APAIXONADA: a Dança!

Dei férias às minhas sapatilhas e mergulhei num mundo desconhecido e totalmente diferente, mas que caminhava junto com aquele que eu estava acostumada.

Tudo era um barato!
Coisas que antes eu não dava a menor importância quando as via no teatro, começaram a fazer sentido porque estavam em um determinado lugar (– Ahh entendi… Então é para isso que serve, Marlon?!) *Ministério da Saúde Adverte: mexer em equipamentos do teatro que os técnicos de som e luz colocaram, podem causar brigas e dores de cabeça antes da apresentação!*

Aprendi também que cor de luz não é a mesma cor de pigmentos que estamos acostumados; que LARANJA em termos de luz na verdade se chama ÂMBAR e que GELATINA não é de comer!

mesa

Ah! E finalmente pude apertar todos aqueles botõezinhos tentadores da mesa de luz e fazer os refletores piscarem! E declaro: isso é viciante!

Mas quando o mundo desconhecido já não estava tão desconhecido assim e eu vesti com orgulho o “crachá definitivo” de Assistente da parte técnica e finalmente me senti incluída em tudo aquilo, um detalhe começou a me incomodar… Eu já não era mais a bailarina, eu era a assistente que observava o “antigo mundo” de fora!

Em vez de passar horas fazendo aulas, ficava horas no computador passando a limpo Mapas de Luz; em vez de estar ensaiando, eu só os assistia; em vez de marcar lugar no palco, eu separava gelatinas/filtros.

E foi assim que acordei um bichinho irritado dentro de mim que eu jurava estar morto – EU QUERIA VOLTAR A DANÇAR!

Não que eu não gostasse de ser Assistente, era um trabalho cansativo às vezes, mas que eu me simpatizava muito e que era tudo compensado! *Ajudar quem você gosta, não tem preço!*

…só que a pior parte era eu ter parado de dançar e acompanhar de perto pessoas realizando um sonho que era meu TAMBÉM!

Pior do que estar longe e desligada desse mundo, era estar perto e NÃO fazer parte daquilo!

Mas, por mais que trabalhar perto de uma Companhia de Dança fosse de certa forma um “martírio”, mesmo eles não dançando exatamente o estilo que eu gostaria de dançar (vi a Giselle morrer pelo menos 22 vezes!) e eu estivesse do ‘outro lado da história’, conhecer a parte técnica e estar por perto da Dança, fez com que ela não virasse um passado em minha vida… mas um presente diferente!

No final das contas, eu havia parado por opção!

Quero dizer, eu estava cansada sim, sentia dores e falta de um tempo só para mim, estava estressada, mas nem o cansaço e o desgaste que tive que compensar com meses de Fisioterapia conseguiram me afastar por muito tempo…
Bastava só eu querer (ou coragem)!

Meu erro foi querer PROVAR ao mundo a qualquer custo, o quanto eu podia ser BOA!
A dedicação que mais parecia uma disputa contra mim mesma!
Não suportava errar… falhar… não conseguir…
Mas quando essa “tal dedicação” é demais e tudo se torna tenso, pesado, parece incerto e você não confia em si; tem mais a ver com obsessão!

É nessas horas que sua mente e seu corpo imploram por um tempo! E coisas do tipo “eu nunca vou conseguir”, “acho que não nasci para isso”, “quando vou ser boa o suficiente?” e “vou desistir” perturbam o seu sono.

Foi quando eu finalmente percebi que não era aos outros que eu tinha que convencer que era boa, mas a mim mesma Primeiro!

“Não corra atrás das borboletas… cultive seu jardim para que elas venham até você!”

Antes, eu queria ser a melhor
Hoje, eu prefiro ser única: Eu, a Laís Ex-bailarina e Assistente Técnica que voltou a DANÇAR!
…e se eu não puder fazer o que gosto como Trabalho, que seja só e unicamente por PRAZER!

Ps* Professores de Ballet demonstram exercícios para seus alunomapas apenas com as mãos falando nomes em francês!

Técnico faz rabisco de “bituca de cigarro” em seus Mapas para a Assistente passar a limpo! —–>

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